Dr. Joel Azevedo | Vogal CA SUCH

 

 

A Transformação Digital está na agenda de grande parte das instituições dos mais diversos setores de atividade. O atual momento pandémico, tornou ainda mais evidente a necessidade de aceleração e antecipação da transformação digital que hoje, mais do que nunca, surge como uma aposta inevitável para a maioria das instituições, organizações e empresas, na tentativa de melhor se adaptarem e reagirem a este novo contexto.

Em pouco mais de quatro meses assistimos a uma enorme aceleração dos processos de transformação digital, realizando-se neste curto espaço de tempo uma mudança que, sem a pandemia, provavelmente levaria anos a ser implementada. O trabalho remoto e a explosão do teletrabalho; a mudança dos hábitos de consumo e o consequente recurso de mais pessoas ao comércio eletrónico e a novos modelos de distribuição ou a adoção acelerada de instrumentos de vídeo conferencia – no domínio das relações pessoais, profissionais ou no ensino remoto – são exemplos que mostram o aumento substancial do uso que fazemos da tecnologia e que nos obrigam a repensar processos – de base digital – que são fundamentais na adaptação e na resposta aos novos tempos.

A complexidade deste desafio resulta da necessidade de encarar a transformação digital não apenas como uma forma de melhorar os processos tradicionais das empresas e das organizações, mas de aproveitar o potencial do digital para mudar a forma como trabalhamos e interagimos.

A COVID-19 demonstrou, por exemplo, que o processo tradicional de envio de faturas em papel, dependente da presença de pessoas nos escritórios, é uma realidade do passado, exigindo os novos tempos uma atuação rápida, com o desenho de novos processos que promovam, de forma eficaz, a flexibilidade e a mobilidade necessárias. O que certamente terá um efeito dominó em toda rede de criação de valor, que hoje se estende muito para além da organização e deve integrar, de forma mais natural e transparente, fornecedores, parceiros e clientes.

Outra oportunidade, não só de melhoria de eficiência, mas também de transformação, surge com a digitalização dos processos de compras. A digitalização permitirá não só melhorar o processo atual – reduzindo custos em tempo e papel, acelerando os processos e diminuindo os erros – mas também facilitar a comunicação entre fornecedores e compradores, dando visibilidade conjunta às várias etapas de processos transversais, permitindo uma melhor colaboração, a criação de sinergias e o incremento da capacidade de gerar valor.

E tudo isto pode ser feito em qualquer lugar do mundo…

Perante o atual cenário, é fácil antecipar que quem conseguir alinhar tecnologia, pessoas, dados e processos estará um passo à frente…. Podemos até antecipar que possivelmente só essas conseguirão manter-se no caminho do sucesso. Promover uma atitude de mudança e adotar, de forma criativa, as novas tecnologias é hoje não apenas uma oportunidade de melhoria, mas, mais do que nunca, uma imperiosa necessidade.

O SUCH nos últimos anos empenhou-se nesta transformação. De forma progressiva aumentámos as ferramentas digitais ao dispor de cada uma das unidades produtivas, como é exemplo o Evolution para a manutenção, que melhora processos e sobretudo recursos; aumentámos as ferramentas de apoio à gestão como Power BI, iniciámos o processo de faturação eletrónica que estará concluído durante 2020; desenvolvemos uma ferramenta que permite a uniformização e valorização económica das propostas; disponibilizámos ferramentas de partilha e o acesso de documentos que permite o acesso em qualquer lugar e melhoramos e encurtámos a distância entre todo o SUCH, melhorando a comunicação e a conectividade digital com a criação de nova pagina de internet e intranet e a adoção de uma rede social interna ou mesmo como é este exemplo a newsletter. Mas esta é uma transformação que está longe de estar concluída, se é que algum dia vai estar concluída, mas que nos permite continuar a ambicionar em fazer mais ou sobretudo fazer ainda melhor!

Este é o nosso desafio: aproveitar melhor as tecnologias emergentes e sua rápida expansão nas atividades humanas, o que implica a capacidade de nos reinventarmos e consequentemente de transformar os nossos processos e modelos. É por isso necessário a participação e colaboração de todos neste processo. Não é um processo de uma pessoa, de um sector ou unidade: é e tem de ser um processo coletivo, participado e com a envolvência de todos. Não é mais um processo de melhoria: é e tem de ser um processo de transformação. Não é mais um conceito futurista: é e tem de ser uma realidade cada vez mais presente.

Para o conseguir são necessários dois grandes investimentos: um na tecnologia e na redefinição dos processos, o outro em capacitar os colaboradores. O primeiro é mais simples, já que a tecnologia está aí. O segundo é mais complexo e exige mais de nós, da nossa capacidade de promover uma atitude de mudança, de pôr em marcha um processo de aprendizagem contínua, de criar uma nova cultura para o digital. De fazer com que as pessoas se sintam mais confortáveis no uso das tecnologias nas atividades diárias e mais apoiadas na assunção do risco e na promoção da mudança. Porque a capacidade e o talento, de todos e de cada um, serão, sem dúvida, os motores do nosso processo de transformação.

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