O reprocessamento de dispositivos médicos é uma atividade crítica para o funcionamento das instituições de saúde e para a segurança dos doentes. Apesar de decorrer, muitas vezes, longe das áreas assistenciais, o seu impacto é direto na atividade dos blocos operatórios, na resposta dos serviços clínicos e na continuidade dos cuidados.
No SUCH, através do Serviço de Esterilização Comum dos Hospitais – SECH, assumimos diariamente esta responsabilidade num contexto cada vez mais exigente, marcado pelo aumento da atividade, pela crescente complexidade dos dispositivos médicos e por requisitos técnicos, normativos e de rastreabilidade cada vez mais rigorosos.
O desafio não é apenas aumentar capacidade. É garantir que esse crescimento é acompanhado por qualidade, segurança, eficiência e capacidade de resposta.
O SECH funciona 24 horas por dia e assegura o reprocessamento de dispositivos médicos para diferentes instituições de saúde, com realidades, necessidades e níveis de complexidade distintos.
Esta diversidade obriga-nos a uma elevada capacidade de adaptação e a uma articulação permanente com os nossos Associados e clientes.
Em 2025, os dados diretamente extraídos do sistema de rastreabilidade TDOC registaram 636.300 unidades processadas entre caixas e mangas. Este número permite perceber a dimensão da atividade, mas, mais importante do que o volume, é a responsabilidade associada a cada dispositivo que passa pelo nosso circuito.
Cada dispositivo tem de ser corretamente rececionado, lavado, desinfetado, inspecionado, preparado, esterilizado e libertado de acordo com procedimentos definidos e requisitos específicos.
Quando estamos perante instrumental complexo, sistemas robotizados, óticas, motores ou outros dispositivos com características particulares, essa exigência é ainda maior.
É por isso que considero que o reprocessamento deve ser visto cada vez menos como uma atividade de retaguarda e cada vez mais como uma componente integrada da prestação de cuidados de saúde.
Uma falha no reprocessamento não fica confinada à central de esterilização. Pode traduzir-se em indisponibilidade de instrumental, atraso de uma intervenção cirúrgica, constrangimento na atividade assistencial ou, no limite, num risco para o doente.
Esta realidade obriga-nos a trabalhar permanentemente em várias frentes.
A primeira são as pessoas.
Nenhuma tecnologia substitui profissionais qualificados, conhecedores dos processos e conscientes da responsabilidade que assumem em cada etapa. A formação, a especialização e o desenvolvimento das equipas são, por isso, fundamentais para acompanhar a evolução dos dispositivos médicos e dos próprios processos de reprocessamento.
A segunda é a tecnologia.
A rastreabilidade é hoje uma ferramenta essencial de gestão e de segurança. Não basta saber que um dispositivo foi esterilizado. É necessário conseguir acompanhar todo o seu percurso, identificar as etapas do processo, os equipamentos utilizados, os ciclos realizados e os respetivos registos.
Quanto melhor for a informação disponível, maior será a nossa capacidade de antecipar problemas, identificar desvios, avaliar tempos de processamento e tomar decisões sustentadas em dados.
A terceira é a capacidade instalada.
O crescimento da atividade cirúrgica e a crescente sofisticação dos dispositivos médicos obrigam-nos a preparar o futuro. É necessário garantir capacidade produtiva, equipamentos adequados, infraestruturas robustas e redundância suficiente para responder a situações imprevistas sem comprometer a atividade dos nossos Associados.
É neste contexto que o modelo de centralização do reprocessamento promovido pelo SUCH tem, na minha opinião, um enorme potencial.
Centralizar permite ganhar escala, uniformizar procedimentos, concentrar conhecimento técnico, otimizar equipamentos, reforçar a rastreabilidade e criar condições para uma melhoria contínua dos processos.
Mas centralizar implica também assumir uma responsabilidade acrescida.
Quanto maior for a dependência das instituições de saúde relativamente a uma central de reprocessamento, maior tem de ser a nossa capacidade de resposta, previsibilidade e gestão do risco.
Não podemos, por isso, limitar-nos a gerir a atividade diária. Temos de antecipar necessidades e preparar o SECH para aquilo que será o reprocessamento nos próximos anos.
Mais automatização, maior integração entre sistemas, utilização inteligente da informação, otimização dos fluxos logísticos e maior especialização das equipas serão, inevitavelmente, parte dessa evolução.
O SUCH tem conhecimento, experiência e escala para assumir um papel ainda mais relevante nesta área.
Para isso, teremos de continuar a investir, melhorar processos e questionar permanentemente a forma como trabalhamos.
Porque crescer, para mim, não significa apenas processar mais.
Significa processar melhor, com maior segurança, maior eficiência e maior capacidade de resposta às necessidades das instituições de saúde que confiam no nosso trabalho.
Esse é o caminho que estamos a construir no SECH.



